Pesquisa da Faculdade de Saúde Santa Casa BH sobre a vacina Qdenga ganha destaque na imprensa nacional

Publicado em 14/07/2026. Atualizado em 14/07/2026 2:43:21

Um profissional de saúde segura uma amostra da vacina contra a dengue Qdenga durante uma campanha de vacinação no Rio de Janeiro, Brasil, em 23 de fevereiro de 2024. REUTERS/Ricardo Moraes


A produção científica da Faculdade de Saúde Santa Casa BH voltou a ganhar repercussão nacional. Um estudo conduzido por pesquisadores da instituição foi destaque em reportagem da Folha de S.Paulo ao apresentar dados sobre a incidência de reações alérgicas após a aplicação da vacina contra a dengue Qdenga. 

Publicado na revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, o estudo identificou uma frequência de reações de hipersensibilidade superior à observada nos ensaios clínicos e em estudos realizados após a introdução do imunizante. 

O autor correspondente da pesquisa é o Dr. Alexandre Sampaio Moura, médico infectologista, epidemiologista e pesquisador da linha de doenças infecciosas da Faculdade de Saúde Santa Casa BH. 

Principais resultados da pesquisa 

O estudo avaliou a campanha de vacinação contra a dengue em Belo Horizonte entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025. Nesse período, foram aplicadas 146.115 doses da vacina em crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. 

Os pesquisadores identificaram 28 casos de reações alérgicas após a vacinação. 

Entre os principais achados estão: 

  • 104.286 pessoas receberam a primeira dose e 41.829 receberam a segunda;  
  • todas as reações registradas ocorreram após a primeira dose;  
  • nove casos foram classificados como anafilaxia e dois como choque anafilático;  
  • a idade média dos pacientes foi de 9,4 anos;  
  • considerando apenas primeira dose, a incidência observada de anafilaxia foi de 86 por por milhão de doses aplicadas, o equivalente a aproximadamente um caso para cada 10 mil doses.  

Um dado importante destacado pelos pesquisadores é que todos os pacientes receberam atendimento médico adequado e apresentaram recuperação completa em até 48 horas. 

A importância da farmacovigilância 

A pesquisa surgiu após profissionais da Prefeitura de Belo Horizonte observarem um número de reações acima do esperado durante a campanha de vacinação. A equipe da pesquisa, composta por pesquisadores da Faculdade, da Prefeitura de Belo Horizonte e do Hospital Eduardo de Menezes revisou as notificações registradas no sistema e-SUS Notifica e reclassificou os casos utilizando critérios internacionais para diagnóstico de anafilaxia. 

Os resultados mostraram que 12 das 28 reações ocorreram nos primeiros 15 minutos após a aplicação da vacina e cerca de 70% aconteceram em até 30 minutos. 

Para o Dr. Alexandre Moura, os dados do estudo mostram que a incidência de anafilaxia com a vacina Qdenga é de 10 a 100 vezes maior do que habitualmente observada em outras imunobiológicos do calendário vacinal preconizado pelo Programa Nacional de Imunização (que variam entre 1 a cada 100.000 doses a 1 a cada 1.000.000 de doses). Estes achados reforçam a importância de que a vacinação com a QDenga seja realizada em unidades de saúde que estão preparadas para oferecer atendimento imediato em caso de eventos adversos. 

“Consideramos importante aplicar a QDenga, especialmente a primeira dose, em um ambiente de saúde, onde um profissional vai dar a atenção e resposta imediata àquela reação.” 

A farmacêutica Takeda, fabricante da Qdenga, informou que a anafilaxia já está descrita na bula do imunizante e destacou que os resultados do estudo não modificam o perfil de segurança da vacina. A empresa também ressaltou que o atendimento rápido realizado pelas equipes de saúde demonstra a efetividade dos protocolos adotados. 

A vacinação continua sendo fundamental 

Os pesquisadores enfatizam que os resultados não colocam em dúvida a segurança ou a eficácia da Qdenga. 

A vacina continua sendo uma das principais estratégias para reduzir o impacto da dengue, apresentando eficácia geral de aproximadamente 80% contra casos confirmados e redução de 90,4% nas hospitalizações. 

Segundo o Dr. Alexandre Moura: 

“A gente defende que a vacina QDenga continue sendo usada. É uma ferramenta importante na minimização do impacto da dengue no nosso país.” 

O estudo reforça a importância da farmacovigilância e do monitoramento contínuo dos eventos adversos, contribuindo para tornar os programas de imunização cada vez mais seguros e eficientes. 

Ciência que contribui para a saúde pública 

Pesquisas como essa demonstram o compromisso da Faculdade de Saúde Santa Casa BH com a produção de conhecimento científico de qualidade, capaz de orientar políticas públicas, fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e contribuir para o aprimoramento da assistência à população. 

Quer acompanhar mais pesquisas e iniciativas que contribuem para o avanço da saúde? 

Acompanhe as novidades da Faculdade de Saúde Santa Casa BH e fique por dentro da produção científica que transforma conhecimento em cuidado para a população. 

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